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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

ARTE (BRASILEIRA) DA FIBRA [FIBERART] (Brasil, desde meados da década de 1970-).

ARTE (BRASILEIRA) DA FIBRA [FIBERART] (Brasil, desde meados da década de 1970-).

A Arte da Fibra surgiu da evolução das antigas técnicas de tecelagem artística e de bordados sobre superfícies tecidas (tecidos ou telas), realizadas a partir da Europa Medieval. No século XX essas técnicas antigas evoluíram para técnicas pessoais originais, diferenciadas e pesquisadas por cada artista, na dita, Arte da Fibra [Fiberart] na Cultura da Fibra (v.). As obras elaboradas nas técnicas têxteis oriundas da tecelagem manual, foram elaboradas com fibras variadas, como o algodão, lã, seda, juta, ramí, sisal, metal, a tela metálica, o fio de arame, o aramado, além de papel, plástico, nylon, e outras fibras mais raras, como a crina de cavalo e o papel artesanal, bem como as misturas de várias fibras na mesma obra. Essas fibras são tecidas ou entrelaçadas, geralmente nas técnicas baseadas nas antigas técnicas artísticas de tear manual, originárias das tradicionais técnicas de Tapeçaria européia, medieval, da que ficou popularmente conhecida no nosso país como Gobelin, um termo genérico que designa várias técnicas artesanais utilizadas na confecção de Tapeçarias artísticas.

A Arte da Fibra, que participa da Cultura da Fibra, propiciou aos artistas nela inseridos a possibilidade de criação de obras murais têxteis, grandes paredes de fibras, obras inovadoras, e até mesmo Instalações na Arte da Fibra (v.), baseadas na natureza da técnica de tecelagem artística confeccionada com fibras. A maioria dessas obras é Abstrata, envolvendo a criação de uma arte baseada nas técnicas de entrelaçamento em ângulos diversos dos fios da urdidura, que ficam ocultos no caso da técnica tradicional; ou não, no caso de algumas das técnicas contemporâneas desenvolvidas por artistas, e estruturam a obra tecida, na mistura balanceada com a tensão sempre presente nos fios de urdidura combinada com a espessura dos materiais, fiados ou não, da trama. Outras técnicas exigem outras pesquisas, como as técnicas de envelopamento (wrapping) renda (lace), e costura, entre muitas outras.

No final da década de 1980 o MAC - USP convidou a artista internacional Inese Birtins (Latvia - Canadá), para proferir o curso Utilização Artística das Fibras Naturais, na sua sede no Parque do Ibirapuera. Participaram do curso Zorávia Bettiol, Delba Marcolini, Cyssa Magri, Marina Overmeer e Vivian Silva, entre outras artistas brasileiras envolvidas com técnicas têxteis desde a 1ª Mostra Brasileira de Tapeçaria, realizada no Museu de Arte Brasileira da Faculdade Armando Álvares Penteado [FAAP] (São Paulo, outubro – novembro, 1974). Essa mostra publicou catálogo ilustrado com as obras dos participantes. Birtins proferiu seu curso anexo à sua grande mostra individual Contradições do Feltro (05-30 abril, 1989), no MAC - USP (Ibirapuera). As obras da artista foram todas executadas como esculturas de fibras flexíveis, na técnica milenar do feltro de lã (1982). O trabalho precursor que alguns artistas brasileiros, como Labarros, voltado para o ensino e a divulgação da Arte Têxtil, frutificou na organização do importante Centro Paulista de Tapeçaria [CPT] (v.). cuja grande animadora e primeira presidente foi Delba Marcolini e sua última presidente Vivian Silva. Os artistas do CPT participaram das mais importantes exposições da Cultura da Fibra, de mostras nacionais como a I, II e III Trienal de Tapeçaria, todas realizadas no MAM (São Paulo, 1976; 1979; 1982); e do Evento Têxtil 85 e Evento Têxtil 89 (MARGS, Porto Alegre, 1986; 1989).E de mostras internacionais como a Bienal de Lausanne e a Trienal de Lodz (Polônia). O MAM, organizador da Bienal Internacional, foi um dos poucos museus nacionais que reconheceu a Arte da Fibra como vanguarda de âmbito internacional, tanto que a Bienal Internacional de São Paulo premiou as obras de duas das mais importantes representantes internacionais da Cultura da Fibra: Magdalena Abakanowicz (Polônia) e Jagoda Buic (Romênia), bem como o casal de artistas Ritzi e Peter Jacobi (Romênia - Alemanha).

REFERÊNCIASSELECIONADAS:

CATÁLOGO. II Trienal de Tapeçaria. São Paulo: MAM, 1979
FOLHETO. Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Paço das Artes - Núcleo Paulista de Tapeçaria, 1983
FOLHETO. Contradições do Feltro. São Paulo: MAC - USP, 05-30 abril, 1989.
CÁURIO, R. Artêxtil no Brasil:Viagem pelo mundo da tapeçaria. Rio de Janeiro: 1985, p. 233
CONVITE. Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 10-25 nov., 1983.
CONVITE. Mostra Coletiva de Tapeçarias. Guarujá: Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura, 20 abr. - 06 maio, 1984.
CONVITE.Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. Campinas: Museu de Arte Contemporânea de Campinas, 10-31 ago., 1983.
ENTREVISTA com Delba Marcolini, 11 de agosto, 2003.
REPORTAGEM. Estilos Diversos de Tapeçaria em Guarujá. Santos: A Tribuna de Santos, sexta-feira 20 abr., 1984.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom artigo!
    Tenho uma tapeçaria em Sorocaba e sempre procuro a respeito na internet. Gostei do seu blog.

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